
Quando uma auxiliar de enfermagem registra um cuidado no NETSoins às 7 horas da manhã e o médico responsável consulta a mesma informação no Mon Espace Santé às 9 horas, a rastreabilidade funciona. Em muitas residências DomusVi, ainda não chegamos lá. A alimentação do DMP a partir do software de cuidados continua sendo parcial, as identidades não estão todas qualificadas, e o prazo de 2026 do Ségur onda 2 se aproxima com exigências mais rigorosas do que se costuma pensar.
INS qualificada no NETSoins: o bloqueio técnico que as equipes subestimam
Antes de falar sobre o DMP, esbarramos em um pré-requisito que bloqueia silenciosamente a cadeia: a identidade nacional de saúde. Cada residente deve ter uma INS qualificada via o teleserviço INSi, e não apenas um número de registro copiado de um antigo prontuário em papel.
No campo, os retornos variam sobre esse ponto. Algumas residências DomusVi qualificaram a totalidade de seus residentes em algumas semanas, outras arrastam identidades provisórias há meses. O problema não é o NETSoins em si (o módulo existe), é a organização anterior: quem inicia a solicitação INSi, quem verifica a correspondência com o documento de identidade, quem corrige as anomalias.
Um percurso concreto que funciona: o IDEC identifica os residentes sem INS qualificada através de uma exportação do NETSoins, a secretaria médica inicia as solicitações em lote, e a enfermeira valida a correspondência no momento da próxima consulta. Se não formalizarmos esse circuito, as identidades permanecem em status “recuperada” sem nunca passar para “qualificada”, e nenhum documento pode ser enviado para o DMP.
Encontramos recursos úteis para estruturar essa etapa, especialmente através da formação Netsoins DomusVi no Senior News que detalha os pontos de verificação do lado da configuração.
Alimentação do DMP a partir do NETSoins: o que o Ségur onda 2 realmente impõe

Os textos do Ségur onda 2 para os DUI médico-sociais não se contentam mais em incentivar a alimentação do DMP. Eles a tornam uma condição de conformidade, com auditorias técnicas previstas para os editores e as instituições. Concretamente, o NETSoins deve ser capaz de enviar automaticamente para o Mon Espace Santé vários tipos de documentos estruturados:
- O resumo médico do residente, atualizado a cada modificação significativa do plano de cuidados
- Os relatórios de hospitalização ou de consulta especializada, quando são registrados ou digitalizados no DUI
- A lista de medicamentos em uso, sincronizada com o plano de cuidados ativo no NETSoins
O erro comum: a equipe pensa que está alimentando o DMP porque marca uma caixa no NETSoins, mas o documento enviado é um PDF não estruturado que o médico responsável não pode ler nem utilizar em seu próprio software. A conformidade do Ségur exige fluxos estruturados no formato CDA, não simples anexos.
Para verificar se sua configuração está operacional, pode-se pedir ao responsável de TI para testar o envio de um resumo para o DMP de um residente que consente, e depois verificar no Mon Espace Santé se o documento é exibido corretamente e se os dados são legíveis por seção.
Rastreabilidade NETSoins e avaliação HAS: o vínculo que os IDEC devem antecipar
A reforma da avaliação HAS dos ESSMS mudou o cenário para os IDEC e os diretores. Não se fala mais de uma auditoria pontual a cada cinco anos com um fichário de protocolos. A HAS agora espera uma rastreabilidade anual estruturada das ações de melhoria, com provas no prontuário do residente, protocolos validados e indicadores clínicos documentados.

O NETSoins já contém a matéria-prima: transmissões direcionadas, planos de cuidados, histórico de prescrições, acompanhamento de quedas e úlceras de pressão. O problema é que esses dados muitas vezes permanecem isolados em abas que ninguém cruza.
Um exemplo claro: se um residente cai três vezes em dois meses, o NETSoins registra cada evento. Mas se ninguém documenta no software a reavaliação do risco, a modificação do plano de cuidados e o relatório da reunião multidisciplinar, o avaliador da HAS não encontrará a prova de um circuito de melhoria. A rastreabilidade só vale se contar uma história clínica coerente, não uma sequência de incidentes isolados.
Para que o vínculo DMP funcione também nesse contexto, o resumo enviado ao médico responsável deve refletir esses ajustes. Um médico de clínica que abre o Mon Espace Santé e encontra um resumo datado da admissão, sem atualização apesar de três quedas, é exatamente o sinal que a HAS busca eliminar.
Calendário e pontos de controle concretos antes do final de 2026
Tendemos a adiar esse tipo de projeto porque parece técnico. Na prática, três ações são suficientes para desbloquear a situação na maioria das residências DomusVi:
- Auditar a taxa de INS qualificadas no NETSoins e tratar as identidades que permaneceram em status provisório, priorizando os residentes com internações frequentes
- Testar o envio real de um resumo estruturado para o Mon Espace Santé, verificar sua legibilidade do lado do destinatário e corrigir a configuração se o documento for enviado em PDF bruto
- Formalizar no NETSoins o circuito de atualização do resumo (quem redige, quem valida, com que frequência), em conexão com o calendário de avaliação HAS da instituição
O Ségur onda 2 não deixa margem para interpretação sobre a capacidade de alimentação automática do DMP. As instituições que não validarem esses fluxos estruturados correm o risco de perder sua conformidade e, com isso, o acesso aos financiamentos relacionados à saúde digital.
A rastreabilidade com o NETSoins e o DMP não é um projeto de TI a ser delegado ao prestador. É um circuito organizacional que envolve o IDEC, o médico coordenador, a secretaria e a direção. As residências DomusVi que avançam são aquelas onde alguém assumiu a responsabilidade, testou os fluxos e corrigiu o que não funcionava antes que um auditor o fizesse em seu lugar.